Consumo Invisível
- 18 de fev. de 2015
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Olá, querido leitor. Bem-vindo à primeira reportagem da TV Walter Fortunato! Essa semana, trataremos de um assunto que afeta todos nós: a atual escassez da água e como isso influencia na fabricação de bens de consumo do nosso dia a dia.
Todos os dias, na televisão, jornal ou internet, encontramos notícias sobre a crítica situação que estamos vivendo devido à falta de água, principalmente na região sudeste do país. É a pior crise hídrica da história do Brasil. Os níveis dos reservatórios que abastecem as nossas residências só caem e a previsão de chuva não é o suficiente. A situação é realmente preocupante. Mas, você já parou para pensar em como a água está presente no seu dia a dia? E eu não estou falando somente de quando você escova os dentes ou quando toma banho. Situações como essas ocupam apenas uma pequena porcentagem da água que utilizamos diariamente.
Há anos, o ser humano tem consciência de que a água é um bem limitado, mas, se usada de maneira correta, satisfaz muito bem a população mundial. No entanto, infelizmente, não é isso que vem acontecendo. O resultado disso é que, desde janeiro do ano passado, somos alertados para reduzir o consumo da água devido aos baixíssimos níveis dos reservatórios. O racionamento acontece em várias cidades do país, e, se continuarmos nesse rumo, ele será uma realidade também para os moradores de São José dos Campos.
A questão é que cada produto fabricado para suprir nossas necessidades causa um impacto na natureza. O valor em reais que você gasta para adquirir um produto não é tão caro quando comparado ao custo que isso gerou no meio ambiente para produzi-lo. Isso porque qualquer processo produtivo de mercadorias exige o consumo de água. Esse é o consumo de água que não notamos, o chamado “consumo invisível”. A tabela a seguir mostra a quantidade de água em litros que é utilizada, por produto, na fabricação.

Sendo assim, a falta de água afetará também os preços de produtos que são extremamente importantes para nós. Afinal, todos eles dependem da água para serem produzidos. Sem contar que, mais de dois terços da energia elétrica do Brasil provêm de hidrelétricas. O problema é muito maior do que parece ser. A água está presente em nossas vidas de uma forma insubstituível.
A parte boa é que, a crise hídrica está incentivando as indústrias no uso racional da água nas fábricas. Arjen Hoekstra, professor de Gestão dos Recursos Hídricos da Universidade de Twente, na Holanda, criou a expressão Water footprint, que significa “pegada hídrica”. Esse conceito tem como princípio conscientizar as fábricas da crise que toma conta do país. E que, elas, representando grande parte do consumo de água do país, devem tomar uma atitude em relação a isso. Além disso, as indústrias também são afetadas pela crise, logo, encontrar uma maneira de produção sem tanta dependência da água é vantajoso para a própria empresa, principalmente nessa época.
A General Motors de Gravataí (RS) adotou esse conceito. Antes, para a produção de um veículo, eram utilizados 4770 litros de água. Agora, para fabricar o mesmo veículo, não são usados mais de mil litros, ou seja, mais de 80% foi reduzido. A cervejaria Ambev também está fazendo sua parte, uma economia de mais de 1,7 litros de água em cada litro de cerveja produzido.
E você também pode ajudar nosso planeta. Não tome banhos longos nem escove os dentes de torneira aberta. Fique atento a vazamentos em sua casa e não use a mangueira para lavar o quintal. A escassez da água pode não ser momentânea, e isso só depende de nós. Vamos economizar água?
"A eterna busca por crescimento econômico transformou a humanidade num agente da extinção, por meio da contínua desvalorização dos serviços ecossistêmicos que mantêm nossa Terra viva", Raj Patel.

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